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terça-feira, 17 de abril de 2012

#NãoOcupeSemSaber

Como o objetivo do blog é falar de coisas relevantes na atualidade, apesar da falta de tempo de atualizar deste que vos fala, gostaria de fazer uma breve análise discursiva de um texto que vi por esses dias. Inicialmente gostaria de dizer que não tenho nada contra a pessoa que o escreveu, sequer a conheço, mas o que me chamou atenção no texto foi a retórica simplista que esta pessoa que escreveu se utiliza. Não venho com isso dizer que a autora constrói essas nuances discursivas conscientemente, mas que não me impede de racionalizá-las.
O texto está disponível em:


O texto é de uma publicitária e é publicitário. A autora diz que não está ganhando nenhum dinheiro da Moura Doubain (construtora do empreendimento que quase com certeza irá ocorrer independentemente da opinião pública), apesar de já ter feito comerciais para a mesma. Não me cabe questionar a idoneidade, nem a honestidade de ninguém, mas tal fato pode ter contribuído para a perspectiva que a autora adota. Apesar de ser bem escrito, direto, com palavras fáceis, a estética se sobressai ao conteúdo.
Não vou me ater as referências que ela utiliza para florear as suas concepções, porque não cabe aqui uma visão esteta do texto, mas suas práticas retóricas.


A retórica começa com a liberdade da autora que já citei (não estar sendo paga pela Moura Dubain, apesar de já ter sido empregada por esta) e, a partir desta, uma motivação pessoal de escrever o texto. Num segundo momento, a autora apropria-se do recurso de autoridade para afirmar que o que está dizendo não surge do nada (como os desinformados e contraditórios ocupantes do estelita), mas porque ela leu o projeto. Este recurso de autoridade é muito utilizado para supervalorizar a retórica, dotá-la de um poder acima dos outros (tanto leitores, quanto ocupantes do estelita).

Ela diz:
"A – Alguém que faz parte do movimento contra a verticalização mora, na prática, em casas com jardim e quintal? Porque eu não entendo uma sociedade que mora em prédios protestar contra a construção de, de, de… Prédios?"
Mais uma vez é latente o recurso de autoridade. Como você pode reclamar e ser contrário a prédios se você mora em um? Isso, contudo, não constitui uma contradição, já que o fato de a pessoa morar em prédio talvez lhe induza a não gostar da verticalização e perceba mais de perto as mazelas desse estilo de vida. A autora, entretanto, se utiliza do que poderia ser um ponto a favor da manifestação contra ela. Se você mora em um prédio, provavelmente é porque o mercado imobiliário lhe impeliu a isto, comprando o local onde morava uma pessoa e vendendo para moradia de 50, 100 pessoas e lucrando absurdamente com isso.

A segunda propensa contradição é que as pessoas que são contra, passam as férias nos EUA, ou em lugares com muitos prédios. Não vou me deter muito nessa contradição porque isso nada mais é do que um devaneio. Quem lota a embaixada dos EUA (disso posso falar porque moro muito perto e vejo quase todo dia filas quilométricas) são pessoas de alto poder aquisitivo, todos comprando água de coco por 3 reais, ou 3 e 50, guarda-chuvas pelo dobro do preço, com seus óculos de sol caríssimos e seus cabelos escovados. Tirando o fato de que constitui novamente uma retórica de autoridade, onde não se julga os argumentos, mas a competência e conhecimento de quem argumenta.

A terceira propensa contradição é que se há um vazio a tanto tempo no cais, por que só agora se resolveu fazer alguma coisa quando decidem construir o belíssimo projeto intitulado: "novo recife" ? Mais uma vez um recurso de autoridade na fala. Ela se utiliza de uma omissão pretérita para negar e descredibilizar uma ação presente.

"Vamos lá: você que mora numa casa e que é contra prédios, detesta a Moura Dubeux (e ainda nem sabe que além dela a Prefeitura, o Governo e mais três construtoras fazem parte do projeto), não quer o Recife parecendo Nova York e odeia revitalização sabia que:

A – Bares, restaurantes e livrarias também serão construídos na área?

B – Um praça faz parte do projeto?

C – Ciclovia, pista de cooper e um píer estão incluídos na planta original?

D – Empregos diretos e indiretos serão gerados durante e depois da construção?"

Repare que ela se dirige a quem mora em casa, pois, quem mora em prédios não tem legitimidade discursiva de ser contra o projeto de verticalização do Moura Dubain e adendos. Devemos ser a favor do projeto porque bares, restaurantes e livrarias serão construídos, além da ciclovia, pista de cooper e um pier.
Bar realmente não é uma coisa que falte no recife antigo. Quem passou, mesmo que só uma vez e de carro pelo local sabe que não faltam lugares dedicados a nobre atividade etílica. Uma das melhores livrarias também fica próxima ao lugar onde o projeto vai ser implementado (até porque, quem patrocina as campanhas de governadores, prefeitos, deputados e vereadores são estas mesmas empreiteiras). Como ciclista, as vezes que passo por ali não vi problema algum, muito menos se comparado a outros trechos do recife onde as vias são inadequadas(muito eufemisticamente falando), o trânsito é absurdo e os carros não se importam em lhe fechar sempre que podem.
Realmente serão gerados milhares de empregos, a construção civil está em segundo lugar no quesito de empregabilidade do país. Mas e aí? Só existe essa forma de gerar emprego? Bezerra da Silva costumava brincar dizendo que um malandro gera cinco empregos: O policial pra prender, o delegado pra autuar, o promotor pra acusar, o juiz pra prender e o advogado pra soltar. O exemplo é perfeito, porque não importa a ética, ou os valores envolvidos nisso, apenas os empregos gerados.

Os "argumentos" se resumem a isso. O texto é cheio de uma ideologia desenvolvimentista, que se omite ante as contradições da sociedade e simplifica a questão entre, escolhidos (que podem comprar um apartamento na área) e não escolhidos (que não podem e querem atrapalhar a felicidade alheia). Contudo, o mundo não se resume a propensa dicotomia. Vivo numa das cidades mais desiguais do mundo, com um problema de mobilidade urbana, corrupção, nepotismo, autoritarismo, etc. O menor dos problemas é uma publicação numa mídia alternativa, mas do mesmo modo que não posso me omitir ante todas essas mazelas não posso e não devo me omitir ante a legitimação dessa lógica cruel e que apenas corrobora ainda mais com as disparidades da grande, cada vez maior (apesar de seus arranha-céus) província Pernambucana.










7 comentários:

  1. E porquê você - grande crítico e cientista social - se omite diante da dominação das grandes 'corporações etílicas' que vendem o pão molhado e o circo, ao mesmo tempo, e ao passo que empregam milhares em suas fábricas gerando muitos empregos diretos e indiretos, a exemplo do setor de construção civil? Que tal deixar de colaborar com eles também?

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  2. Não, obrigado.
    1°) Não sou cientista social ainda e nem eu, nem meu ego agradecemos, já que foi um "elogio à platéia" (eu) a fim de induzir-lhe a contradição.

    2°) O fato de ter prazer bebendo não me impede de ser critico com relação as grandes 'corporações etílicas', mas justamente por ser um monopólio os apreciadores de bebidas etílicas dependem destes.

    3°) Um dos principais princípios desse blog é a argumentação racional pautada seja em quaisquer base teórica dos que se propõem a discutir (geralmente eu), esse seu argumento é o mesmo utilizado pela autora que condenei, "não podes falar mal de uma construtora de apartamentos porque você próprio mora num apartamento", é um argumento ao detentor do discurso e não uma crítica ao discurso em si, ou uma falha teórica que possa haver. Schopenhauer diz que é um argumento retórico e que só serve para descredibilizar o indivíduo sem, contudo, contribuir em nada com o debate que por conseguinte venha a levantar.

    4°) Parto do dito popular romano "não confie em quem não bebe!", pois, todos somos sinceros em nossos vícios e quando os satisfazemos. Não sou, contudo, um apologeta do alcoolismo, mas se dependesse de sobriedade para se considerar alguma teoria, ou argumento, toda a dialética hegeliana seria deixada de lado... (pessoalmente discordo em vários aspectos de Hegel, mas não pelo fato dele beber).

    5°) Acerca do anonimato
    Eu permito comentários anônimos porque não proíbe que pessoas que não possuem blogs possam comentar, nem induz os que querem dizer algo a falar. Contudo, desconsidero quase todo discurso anônimo (com exceção do que não se conseguiu detectar seu autor por falhas de historiadores, ou insuficiência de fontes históricas, que não é o caso). O próprio Schopenhauer escreve algumas coisas muito melhor do que eu poderia sonhar então deixo com ele minha resposta:
    "Acima de tudo, deveria ser eliminado este escudo de toda patifaria literária, o anonimato. Nas revistas literárias, ele foi introduzido com o pretexto de proteger os honrados críticos, os vigias do público, contra o rancor dos autores e de seus protetores. Só que, cada vez que se apresentar um caso desse tipo, haverá centenas de outros em que o anonimato serve apenas para tirar toda a responsabilidade daquele que não pode defender o que afirma, ou até mesmo para ocultar a vergonha de uma pessoa que é suficientemente corrupta e indigna a ponto de recomendar ao público, em troca de uma gorjeta do editor, um livro ruim. Muitas vezes, também, o anonimato serve apenas para camuflar a obscuridade, a insignificância e a incompetência do crítico. É incrível o descaramento de certos tipos que não recuam diante de pilhérias literárias quando sabem que estão em segurança nas sombras do anonimato."
    ...
    "Usar o anonimato para atacar pessoas que não escreveram anonimamente é evidentemente desonroso. Um crítico anônimo é um sujeito que não quer assumir o que diz ou que deixa de dizer ao mundo acerca dos outros e de seus trabalhos, por isso não assina."
    ...
    "Todas as resenhas anônimas são suspeitas de mentira e falsidade. Por isso, assim como a polícia não permite que as pessoas andem pelas ruas mascaradas, não deveria ser admitido que elas escrevessem anonimamente. As revistas literárias que usam o anonimato são propriamente o lugar onde, sem punição alguma, a ignorância possui seu tribunal para julgar a erudição, e a burrice, para julgar a inteligência, o lugar onde o público, enganado impunemente tem seu dinheiro e seu tempo roubados por meio do elogia aos maus escritores. Nesse caso, o anonimato não é a fortaleza segura de toda patifaria literária e publicista?"
    Ele encerra esse capítulo assim:
    "De minha parte, preferia estar à frente de uma casa de jogos ou de um bordel a representar uma dessas covas de críticos anônimos."

    É a única parte que discordo, porque preferia estar num bar. Além de não gostar de fazer sexo com prostitutas, bebida é muito cara em puteiro....

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  3. 1)No meu humilde ponto de vista, a contradição não está comigo. Pra quem pontua que a autora utiliza a lógica do “não importa a ética, ou os valores envolvidos nisso, apenas os empregos gerados” para embasar seu discurso furado de crítica à ação dos ocupantes do Zé Estelita; me parece incompatível realizar este juízo e, ao mesmo tempo, defender implicitamente ou pelo menos lavar as mãos diante dos postos de trabalho que são gerados pela indústria do álcool, que direta e indiretamente é uma das principais causas de mortes e de tantas mazelas sociais de nosso tempo (e de outros também).

    2)Os apreciadores de bebidas etílicas não são dependentes dessas corporações, a menos que se tratem de alcoólatras inveterados. São, talvez, dependentes de aceitação social por parte dos grupos que fazem parte; afinal é no mínimo desconfortável não seguir o rebanho que bebe e critica quem não o segue, não é mesmo?

    3)Na realidade, não utilizo o ‘argumento’ da ‘autora’ do texto alvo de sua crítica, conforme você insinua, de tornar ilegítimo a crítica por parte dos que moram em apartamento. Aliás, esse é um dos pontos onde nossas ideias são convergentes. Mas o fato é que esse exemplo se assemelha a outros como um indivíduo que utiliza o transporte público, mas o critica: ou seja, a falta de opção em buscar algo diferente faz parte do problema; e não deve impedi-lo de criticar o transporte de péssima qualidade e valor absurdo ao qual ele TEM que se submeter para trabalhar, passear, voltar pra casa ou se locomover até qualquer lugar. Eu mesmo faço parte da imensa gama de pessoas que mora em apartamento e não necessariamente aprova a verticalização da cidade. Se pudesse, moraria em uma casa; mas isso é, por enquanto, apenas um sonho.
    Agora em relação ao que escrevi, novamente me permita a utilização de exemplos, pra tentar tornar a distinção entre os discursos mais clara: Um maconheiro que prega a não-violência, mas compra sua erva indiretamente do tráfico, um cristão que diz que Deus é só amor, mas tem ódio de ateus; ou alguém que fala na importância de valores e ética envolvidos na geração de empregos (citando a construção civil, especificamente), mas abstém-se dos que são criados por uma indústria que tem muito mais aspectos questionáveis vinculados a si. Ou seja, é algo extremamente hipócrita. E ainda que hipocrisia seja a base da vida em sociedade, a meu ver de fato não legitima crítica por parte de pessoas que adotam o discurso do ‘faça o que eu digo, mas não o que faço’, parafraseando minha avó (já que você gosta tanto de citações). E foi isso que enxerguei em seu texto, nobre colega.
    Já o argumento que utilizei é, de fato, uma crítica ao detentor do discurso. Só que creio que isso acrescente sim ao “debate que por conseguinte venha a levantar”; uma vez que objetivo, com isso, despertar autocrítica por parte do autor do texto; o que pode ocasionar (ou não) uma mudança de opinião, maior reflexão ou revisão do ponto de vista que este (você) defende. Como dá pra ver, discordo de Schopenhauer.

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  4. 4)Não vou ater-me muito a esta questão, pois penso que se trata muito mais de uma opinião extremamente pessoal e quase dogmática, do que de ideias que devam ser discutidas. No entanto, assim como você expressou a sua, gostaria de externar a minha: Assim como você, não confio em quem não bebe; mas confio menos ainda em quem bebe. É verdade o lance da sinceridade; mas isso não necessariamente é uma coisa boa. A satisfação deste vício, em especial, pode fazer exatamente com que a confiança de uma pessoa em outra seja quebrada, faz um pai de família - que em seu estado sóbrio pode ser um cara recatado e excessivamente controlado, detentor de uma brutalidade latente - transformar-se em uma besta agressiva ou mesmo assassina que se volta contra sua esposa e filhos, mostrando seu ‘eu sincero’; banaliza a morte; destrói ideias, ideais e idealistas; entre tantas outras consequências que você e eu já sabemos e estamos cansados de ver no discurso e, infelizmente, na prática. Mas voltando um pouco mais à discussão, em nenhum momento a sobriedade foi colocada como premissa para se considerar alguma teoria (e nem defendi isso).

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  5. 5)Quanto ao anonimato – a meu ver o ponto menos importante disso tudo; mas aquele ao qual você se ateve mais (apesar de logo no início demonstrar seu desprezo por ele) – ,não precisa parafrasear grandes autores para dizer o que pensa (aliás, não precisa fazer isso pra emitir sua opinião sobre qualquer tema, desde que esteja embasada por argumentos sólidos). Se você considera patifaria literária uma postagem anônima, colega, não deveria permiti-las. As razões apresentadas para mantê-las não me pareceram suficientemente convincentes, com todo respeito.
    Gostaria de encerrar apenas pontuando que, da mesma forma que sou um anônimo pra sua pessoa, você o é para mim (afinal, colocar que estuda na UFPE, que é do sexo masculino e saber que gosta de beber cerveja, não é informação suficiente pra saber quem é determinado indivíduo). Se tiver algum lugar em seu blog que não vi, que discrimina sua identidade, peço perdão, mas não reparei e nem vou procurar. Não sei e nem me interessa saber quem você é; afinal você é tão livre quanto eu para expressar o que pensa e essa liberdade inclui o direito de identificar-se ou não. Não tenho conta no Gmail, e pelo que vi também não possuo qualquer outro dos requisitos necessários para realizar uma postagem que não a anônima; e é pretensão demais de sua parte esperar que eu vá fazer isso apenas para agradar-lhe e sair do anonimato. Este aliás, a meu ver, pode se caracterizar como tudo o que você falou de negativo, se eu me valer disso para incitar mensagens de racismo, homofobia ou qualquer tipo de intolerância. Mas por fazer um simples questionamento?! Por favor...
    Peço que não considere isso um ataque; mas apenas uma indagação. Já em relação à “camuflar a obscuridade, insignificância e incompetência do crítico”, ou à “suspeita de mentira e falsidade”, pode considerar, se quiser. Realmente não dou a mínima (e talvez seja até verdade no que tange à primeira parte).
    Por fim (agora vou terminar, prometo!), gostaria de sugerir um conselho de um anônimo: pense menos com a mente dos outros e um pouco mais com a sua. É fantástico que você tenha uma literatura bastante rica, conheça diversos autores, pensadores, a visão que cada um tem sobre diversos temas, etc e tal. Todavia, isso não pode e nem deve ocorrer em detrimento de nossa capacidade individual de construir ideias, argumentos e nossa própria visão de mundo. Você escreve bem, dá pra ver que é inteligente e tem um espírito ‘subversivo’, no melhor sentido possível da palavra. Mas lembre que um texto num blog ou uma conversa num bar ou num puteiro, não são um trabalho científico ou defesas de tese, respectivamente. Seja um pouco mais você mesmo e vai perceber que não precisa colocar uma referência bibliográfica ao final de cada parágrafo que escreve ou cada frase que fala que contenham algum argumento mais elaborado. Ah, e sem contar que isso é chato pra caralho. E sem contar também que isso aí se aproxima muito do citado recurso de autoridade que você acusa a autora do texto (a meu ver, corretamente) de utilizar-se.
    Como dá pra ver, mais uma vez discordo de Schopenhauer (e que bom que você faz isso em algum ponto, ainda que seja só em relação a estar num puteiro).
    Mas como você ousou discordar dele, vou retribuir a ousadia ao citá-lo, apenas para tentar mostrar mais uma contradição sua, que não aplica essas regras em seu blog: “(...) assim como a polícia não permite que as pessoas andem pelas ruas mascaradas, não deveria ser admitido que elas escrevessem anonimamente.”
    Enfim, é isso.
    Abraços anônimos.

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  6. Querid@ anônim@,
    Agradeço tanta atenção, apesar de ser pautada em premissas precipitadas.

    Se ler o que eu escrevi, atentamente, e conseguir decodificar minimamente o conteúdo deste blog perceberá que se refere as minhas concepções sobre a obra de Schopenhauer. Penso com minha cabeça sim querid@ anonim@ (até porque só se pode pensar com ela), mas o objetivo deste espaço é dedicar lugar as minhas concepções acerca da aplicabilidade das obras de Schopenhauer na minha realidade. Sua retórica, como falei desde o primeiro comentário é conhecido popularmente como "morde e assopra". Você apenas intercala elogios e ofensas pessoais ao longo de todo o texto.

    1°)"me parece incompatível realizar este juízo e, ao mesmo tempo, defender implicitamente ou pelo menos lavar as mãos diante dos postos de trabalho que são gerados pela indústria do álcool, que direta e indiretamente é uma das principais causas de mortes e de tantas mazelas sociais de nosso tempo (e de outros também)."
    Apesar da retórica asceta e moralista do final, concordo com você no começo do que escreveu. E é justamente, por isso, que não utilizo o discurso dos postos de trabalho para legitimar o meu hábito. Caso utilize, por favor me diga onde, porque até então, nada mais foi do que uma falácia retórica da sua parte. Utilizo o discurso da liberdade individual. O álcool por si não traz malefício algum querid@. Posso passar o dia conversando sobre narcóticos e álcool com você. Os exemplos esdrúxulos que você utilizou de violência em casa (a parte das violências legitimadas socialmente, como agredir crianças...), etc. são lastimáveis, mas são parte de uma margem de indivíduos que tem problemas com a substância. Não é uma característica da substância. Isso é o estágio que se chama "leão" do usuário, mas também tem o estágio "macaco", "porco", etc. As mortes imensas são quase todas oriundas de "acidentes de trânsito". Não estou advogando o uso de álcool acompanhado de direção, isso é assassinato. Também não sou apologeta do uso de álcool, sou para mim (em determinados momentos que cabem a mim decidir) e já fiquei abstêmio um longo período da minha vida. Mas novamente, isso não lhe concer, nem condicionou meu discurso na época.

    2°) "Os apreciadores de bebidas etílicas não são dependentes dessas corporações, a menos que se tratem de alcoólatras inveterados. São, talvez, dependentes de aceitação social por parte dos grupos que fazem parte; afinal é no mínimo desconfortável não seguir o rebanho que bebe e critica quem não o segue, não é mesmo?"
    Mais uma vez, só recurso de autoridade! Não posso ser contra a verticalização porque tenho apartamento, não posso ser contra o monopólio de distribuição de cerveja no Brasil porque bebo, não posso ser pacifista porque uso substâncias destinadas historicamente para o mercado negro (apesar de não constituir violência per si, nem contra terceiros e só ser associada a outros crimes em países que é considerada crime!). Mais uma vez o chamado "argumento ad homini", perdão por ser uma citação, mas foi teorizado (dentre muitas pessoas) também por Schopenhauer (desculpe pela referência).


    3°) "E foi isso que enxerguei em seu texto, nobre colega.
    Já o argumento que utilizei é, de fato, uma crítica ao detentor do discurso. Só que creio que isso acrescente sim ao “debate que por conseguinte venha a levantar”; uma vez que objetivo, com isso, despertar autocrítica por parte do autor do texto; o que pode ocasionar (ou não) uma mudança de opinião, maior reflexão ou revisão do ponto de vista que este (você) defende."
    Tu dizes que meu texto é contraditório quando, uma hora tu diz pra eu pensar por mim mesmo (ou seja, não usar citações) e tenta o tempo todo me "colonizar" com uma retórica moralista (sem ver com isso uma contradição).

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  7. 4°) "Mas voltando um pouco mais à discussão, em nenhum momento a sobriedade foi colocada como premissa para se considerar alguma teoria (e nem defendi isso)."
    Estavas me aconselhando a pensar mais por mim mesmo, ao passo que, não lês sequer o que escreves. Tua análise poderia ser intitulada de "um discurso da moral e da sobriedade". Desprezei tudo que tu disse antes dos MAS ao longo de todo o texto (APESAR DE TER LIDO ATENCIOSAMENTE), porque o que você realmente queria dizer vem sempre depois do MAS! Nesse caso, a única coisa que você diz é: "não uso argumento "ad homini", MAS ..." logo em seguida segue um argumento referente a mim e não ao que disse (mesmo que para isso seja necessário utilizar muito mais suas interpretações do que disse, ao invés do que eu realmente disse).

    5°) Com relação ao anonimato, não vou suprir a suposta contradição levantada por você. Porque,ao meu ver, é uma simples questão de educação identificar-se. Você não sabe nada da minha vida, mas sabe que estudo na UFPE, curso ciências sociais, que eu tenho hábito de beber, diz que tenho vasto conhecimento teórico, etc. Como assim não sabe nada sobre mim? Só faltou saber meu nome, que por acaso é Mateus (viu como foi simples me identificar? Nem precisei de conta no gmail, nem em canto nenhum). Como falei, o anonimato lhe permite fazer assertivas que não faria pessoalmente, por isso, constitui uma falta de integridade e honestidade intelectual. Perdão por qualquer tipo de referência bibliográfica ao seu próprio texto (só o fiz para não ser injusto com o que você mesm@ falou) e a qualquer tipo de coisa que tenha lido, mas como falei no início dessa resposta, o intuito é ter um espaço para alguém sem espaço por causa da sua originalidade e crítica a academia (bem como, seus financiamentos privados e públicos) e A PARTIR DISSO estabelecer minha interpretação sobre problemas que concernem a minha realidade.


    Por último, no que concerne a mobilidade urbana e as empresas de ônibus, tomei uma decisão muito simples na minha vida... virei ciclista. Todos os trajetos que fazia cotidianamente, hoje em dia busco fazer de bicicleta.
    E participo de um grupo chamado bicletada, que se embasa no movimento massa crítica, presente em todo o mundo pela luta a favor da mobilidade, diminuição de carros (com isso o número de acidentes que você atribui a bebida apenas).
    O grupo se reune toda última sexta do mês na praça do Derby e a tua bicicleta vai se pagar caso você deixe de andar de ônibus. Aparece lá que aí a gente troca essa idéia pessoalmente, com mais amistosidade.
    Abraços,
    Mateus Rafael.

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